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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Sociedade dos Poetas Bêbados - Drinks Literários

Abacagim (Pim) - Lolita




"Lolita, light of my life, fire of my loins. My sin, my soul. Lo-lee-ta: the tip of the tongue taking a trip of three steps down the palate to tap, at three, on the teeth. Lo. Lee. Ta. She was Lo, plain Lo, in the morning, standing four feet ten in one sock. She was Lola in slacks. She was Dolly at school. She was Dolores on the dotted line. But in my arms she was always Lolita."


     Bebida predileta de Edgar H. Humbert, personagem do romance "Lolita" de Vladimir Nabokov, o drink mistura suco de abacaxi com gim, e foi carinhosamente apelidado de "Abacagim" (ou Pim, em inglês) pelo personagem. É o fiel ombro de Humbert em momentos de tensão (e também de comemoração).
      Lolita foi publicado em 1955, em Paris, e está entre os livros mais polêmicos do século XX, conta a história do melancólico Humbert, homem de meia idade e professor de literatura e poesia francesa, que, ao se mudar da velha Europa para viver nos EUA, depara-se com uma série de desencontros fortuitos que o fazem se hospedar numa pensão em Ramsdale, New Hampshire. Permanecer na hospedagem não era seu plano inicial, mas após ver Dolores Haze, filha da dona da casa, Charlotte (com quem se casaria apenas para se aproximar da garota), decide ficar na pequena cidade.
      Humbert, homem amargo, pedófilo e sensível como um poeta (isso só não é uma antítese para nos lembrarmos de que criatividade e inteligência não são pré-requisito pra uma pessoa ser boa), fica obcecado por Lo, e, após a morte de Charlotte, põe em prática um plano que já vinha arquitetando desde o momento em que viu Lolita: sequestrá-la e por o pé na estrada (e no acelerador), cruzando vários estados, totalmente sem rumo.
     É justamente no dia da morte de sua esposa que Humbert prepara este drink tão singular. Como estou me esforçando para não dar muitos spoilers, vocês vão ter de ler o livro para saber se a bebida foi usada para celebrar ou desviar assuntos incriminadores! Bem, aí vai a receita deste clássico:

Ingredientes:


Suco de Abacaxi (200 ml, um copo - de preferência suco natural)
Gim
Gelo

Modo de Preparo:

-Em um recipiente, coloque os 200 ml de suco de abacaxi, acrescente uma dose de gim e duas pedras de gelo, ou mais, se preferir. Beba bem gelado, ideal para dias quentes. Quem é formiga, pode adicionar leite condensado, acrescentando gim à gosto. Lembrando, gim tem teor alcoólico superior ao do whisky, então, bebam com moderação.
 

Ice Cream Soda

                       

    Bem, esta eu posso beber ~legalmente~, haha! Também das páginas de Lolita, o Ice Cream Soda, bebida não-alcoólica de alto teor calórico, é de preparo fácil e rápido. Aparece na história em um Drugstore de Beardsley, pedido por Dolores, após fugir de casa. Aí vai uma bomba calórica (e muito gostosa):

Tempo de preparo: aproximadamente 15 min.
Rende: 4 porções bem grandes

Ingredientes 

3/4 xícara de xarope de chocolate (podem colocar extra, como a personagem, mas fica muitíssimo doce!)
8 colheres de sorvete de chocolate
4 xícaras de água gaseificada (gelada)
1 xícara de leite
Chantilly é opcional

Modo de Preparo:

Coloque 3 colheres de xarope de chocolate em cada um dos quatro copos de 500 ml. Adicione 1/4 de xícara de leite e 1 xícara de água gaseificada para cada e mexa até espumar! Adicione duas colheres de sorvete para cada copo. Cubra com chantilly, se desejar. E, caso queira, coloque uma cereja no topo!

Informações: Uma porção de Ice Cream Soda contém: 476 calorias, 17 g de gordura (11 g de gordura saturada), 53 mg de colesterol, 159 mg de sódio, 76 g de carboidrato, 3 g de fibra, 8 g de proteína.

Mint Julep - O Grande Gatsby

                                

    Recente sucesso nos cinemas, O Grande Gatsby é um romance escrito por F. Scott Fitzgerald, o mesmo autor de "O Curioso Caso de Benjamin Button". Publicado em 1925, o livro data os tempos de desordem da Primeira Guerra Mundial e o período que a sucede.
    Além de uma história de amor, é uma crítica ao American Dream, atribuindo decadência moral, consecutivas decepções, sonhos perdidos e desilusões amorosas (e bota desilusão nisso) aos anos de glória e vacas gordas que sucederam a guerra. Cria-se, então, um contraste: o exterior brilhante, festivo e glamouroso, contrapondo-se com a realidade infeliz, amarga e solitária (à nível emocional) e a hipocrisia e atrofiamento da moral (à nível global).
    É narrado pelo jovem Nick Carraway, que conta sobre Jay Gatsby, o misterioso milionário, apaixonado por Daisy (prima de Nick). A história de amor é puro desencontro: antes da guerra, James Gatz, vindo de uma família pobre da zona agrícola da Dakota do Norte, apaixona-se por Daisy Fay, contudo, como oficial da marinha em tempos de guerra, Jay tem de partir. Quando retorna da guerra, a sua amada havia se casado com outro homem, o milionário e insensível Tom Buchanan.
   Bom, a receita do drink predileto de Jay Gatsby é esta aqui:

Ingredientes:

1/2 colher de chá de açúcar
1 colher de sopa de água gaseificada
1 dose de whisky bourbon (Jack Daniels)
3 cubos de gelo esmagados
3 ramos de menta

Modo de Preparo

Pique as folhinhas de menta, bem fininhas. Ponha-as no copo e esmague-as (caso não tenha pilão de vidro use a criatividade). Dissolva açúcar na água gaseificada e acrescente o gelo picado, coloque a mistura no copo, depois despeje a dose de whisky.

Hidromel (Mead) - Das tavernas e batalhas

       

 
     Uh! Este vale apenas a citação, pois é bem difícil de fazer! haha! O hidromel é o famoso drink dos vikings, aparece diversas vezes em livros de Bernard Cornwell (autor de séries como As Crônicas de Artur e A Busca do Graal), J.R.R Tolkien, George R. R. Martin (quem nunca se revoltou com um querido personagem morto por ele?!), C. S. Lewis e J. K. Rowling.
   Esta bebida é feita à partir da fermentação do mel e da água usando leveduras, acrescenta-se também pimenta e uvas em algumas receitas. É chamada de vinho de mel, e é uma das bebidas mais antigas que estão por aí. Foi muito apreciada em civilizações "de guerra", beligerantes, em tempos de muita batalha e sanguinolência. O hidromel enchia os copos nos brindes dos romanos, gregos, celtas, saxões e vikings.
   Diz-se que o termo "lua de mel" provém da existência dessa deliciosa bebida, pois após as bodas, os casais deveriam beber hidromel durante o primeiro ciclo lunar para que nascesse um filho do sexo masculino e valente. Para os celtas é a bebida da imortalidade, a bebida dos deuses.
   Para quem quiser se aventurar a tentar preparar esta gloriosa bebida, aí vai uma ajudinha. Ou comprem um pronto!

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Sessão Sofá de Cinema - À Flor da Alma que Dança

     
   

   Soleá, sol quente e verão! Aproveitando o clima cálido da estação, trago algumas indicações de filmes com a temperatura deste Fevereiro, afinal, assistir a filmes não é um hábito reservado apenas ao inverno. A sessão de hoje envolve dança, paixão e drama, e, claro, muita música. Prepare a limonada gelada, ou uma Granita, que os filmes são bons! Quem gosta de dança então, vai adorar.


Bodas de Sangue (1981)



         
                        

   O filme, dirigido por Carlos Saura, é inspirado na peça do poeta e dramaturgo espanhol Federíco García Lorca, e conta a história de um casamento que está por vir, entre a Noiva e o Noivo (os personagens não têm nome próprio, exceto Leonardo).
    Com um histórico familiar trágico, os entes do Noivo (seu pai e seu irmão) foram mortos por membros da família Félix, alvo do ódio da Mãe do Noivo, uma personagem melancólica e tempestuosa, sempre a comparar homens a flores e amaldiçoar as navalhas e armas de fogo por arrancar as flores de sua vida, em disputas sangrentas por terra.
    A Noiva, pouco conhecida na cidade, reside com o pai numa cueva distante do povoado, próxima ao deserto (à dez léguas da casa mais próxima), pouco se sabe sobre a moça, apenas o fato de que já fora noiva uma vez, aos quinze anos, e ia se casar com Leonardo, da família Félix. Porém o casamento não sucede e Leonardo casa-se com outra mulher tempos depois.
   No dia das bodas do Noivo e da Noiva, o primeiro convidado, Leonardo, chega bem antes de todos os outros, e, ao ver sua antiga namorada, relembra-a do amor que sentiam, declarando-se. Minutos antes da quadrilha, os dois amantes fogem pelo bosque e pelo deserto espanhol da Andaluzia, uma trama de perseguições se desenlaça, com membros da família do Noivo, da Noiva e de Leonardo no encalço do casal fugitivo.
    "Bodas de Sangue" faz parte de uma trilogia de Lorca completada pelos títulos "Yerma" e "A Casa de Bernarda Alba", já na cinematografia, a filmagem desta obra compõe uma trilogia de Saura, formada por Carmen (1983) e Amor Bruxo (1986). Os filmes de Saura têm o traço singular e interessante de lembrarem ensaios de teatro, desenrolando-se em ambientes fechados que dão espaço a belíssimos espetáculos de dança e atuação, acompanhados por violas flamencas. No longa "Carmen", a trilha (filmada, pois os músicos permanecem em cena) conta com a participação do lendário Paco de Lucia.
    E mais! Um número considerável das filmagens de Carlos Saura está disponível no Youtube.

 

Chorinho:

   Ia comentar apenas sobre um desta trilogia de Saura, mas vale acrescentar algo sobre Carmen (1983), o filme segue a linha de Bodas de Sangue, mas com "mais cara de filme", penso eu! Quem curtiu Cisne Negro, de Aronofsky, vai lembrar um pouquinho da história.
   Um grupo de dança irá representar nos palcos o clássico Carmen de Bizet, Antonio, homem de meia idade ainda muito charmoso e coreógrafo do espetáculo, apaixona-se pela jovem bailarina principal, Carmen. Quando a dançarina começa a sair com um dançarino do grupo, Antonio se corroí de ciúmes, assim como Don José, da ópera de Georges Bizet. O enredo do filme e o texto da Ópera correspondem-se diversas vezes, complementando-se. Assim, personagem e intérprete se confundem, lembrando um pouco o roteiro de Cisne Negro.
 


Tango (1998)

  


   Se Carmen "tem mais cara de filme" que Bodas de Sangre, Tango, então, bate esse ranking. Também dirigido por Carlos Saura, a película "Tango" aborda, através da dança, a ditadura militar argentina, iniciada com o golpe em 1966 e considerada uma das mais brutais ditaduras da América do Sul.
   O enredo apresenta a vida do cineasta Mário Suarez, em conflito com sua criatividade e passando por uma crise emocional, enfrentando o rompimento com sua mulher Laura, que o abandonou. Cheio de inseguranças, acaba transmitindo seu estado de espírito para o projeto em que está envolvido: a montagem de um espetáculo de tango que volte aos tempos da imigração europeia, contando a história de como a dança desembarcou em terreno sul-americano e se desenvolveu ao longo da história argentina, resultando na tão famosa arte que caracteriza o país.
    As coreografias são extremamente expressivas, transmitindo ora tensão, ora alegria. Abaixo tem um vídeo da dança dos militares em confronto com os presos políticos, remetendo às salas de tortura e ao sofrimento das vítimas da ditadura militar. A música é marcada e dramática, assim como os rígidos movimentos dos oficiais.



O filme intercala a vida do cineasta e seus conflitos com as danças de tango que contam a história da Argentina. O cenário varia do real aos elementos e truques cenográficos dos palcos de teatro.Vale muito a pena ver! De verdade! É um longa muito bem produzido e inspirador.


Pina (2011)

     Filme dirigido por Wim Wenders, é uma homenagem à história da grande bailarina e coreógrafa alemã Pina Baush, exímia diretora de danças performáticas, dando continuidade à herança vinda do dadaísmo e do impacto que este causou em expressões artísticas.
     Pina, nascida em 27 de Julho de 1940 em Solingen, Alemanha, desenvolveu coreografias que eram compostas pelo grupo como um todo, e eram baseadas na vida dos bailarinos da equipe, assim, abordando desde temas como sexualidade, gênero e identidade até, claro, sentimentos como o amor, felicidade e angústia, tudo com extrema leveza e equilíbrio.
     "Pina" traz para as telas a leveza e a maestria ímpar desta diretora de ballet, falecida em 2009, mas ressuscitada nas cenas do documentário. Por ser uma obra essencialmente visual, escrevo pouco e deixo um tira-gosto deste belíssimo filme que só vendo para compreender:


                                  


É isso aí! Boa sessão! (;


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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Para acalentar a alma....


  Joe Satriani! Um dos melhores guitarristas que eu conheço! A música "Always With me, Always With You" é uma das mais famosas deste guitarrista norte-americano, bem, é uma baladinha romântica pra falar a verdade! Contudo, não é uma melodia vazia abordando romance, mas sim uma harmonia inegualável, que floresce um morno abraço na alma.
   O álbum "The Extremist" é uma boa dica para quem gostou desse som, na minha opinião, um dos melhores álbuns de Joe. E quem curte um baita instrumental com o foco sobre solos de guitarra, há ainda o Paul Gilbert, Albert Lee, Steve Morse, o virtuoso e exibido Yngwie Malmsteen, outro mestre, bem conhecido, chamado Steve Vai, Santana, Steve Ray Vaughan, John Petrucci, Eddie Van Halen, Jeff Beck, Johnny Winter, Pat Martino, Nuno Bettencourt, Kiko Loureiro, Pepeu Gomes...

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Sessão Sofá de Cinema - Entre Proscênios e Ternuras

Cena do filme "Il Viaggio di Capitan Fracassa", de Ettore Scola
       Nesse friozinho repentino nada melhor que assistir uns bons filmes! Já prepare a pipoca e a coberta que a sessão é boa! Hoje a dica é em homenagem às trupes de teatro e à amizade. Aqueles que já participaram de uma peça ou se sentem envolvidos pela magia do teatro conhecem o ar delicado, brincalhão e sinestésico da Quinta Arte!
      Uma das belezas do teatro é a união. O singelo coletivismo inevitável, ainda que tenha aquelas brigas dignas de tragédia grega. A ternura abraça e abrasa o coração de todos desde o momento de conhecer um ao outro até os minutos antes da apresentação, aquela sensação de completo terror, porém também de completo amor e gratidão, simplória felicidade dos sentimentos em caos alumiado, e o dar as mãos antes da peça, como um culto ao conquistado, acalenta a alma de todos no palco ao bradarem uma prece e trovejarem em uma só voz:  Merda!
      Tal beleza aquarelada em belas alegrias é sentida pelo público, seja em uma peça cômica ou trágica, pois o resultado que se atinge é consequência da cumplicidade da trupe e da convicção com que acreditaram na peça. Então, para sentir esse brilho aureo que só o teatro tem, nada mais justo que recorrer à magnífica Sétima Arte!

 

Il Viaggio Di Capitan Fracassa (1990)


       Il Viaggio Di Capitan Fracassa (A Viagem do Capitão Tornado), um maravilhoso filme lançado em 1990 sob a maestria do esplêndido diretor italiano Ettore Scola, narra a história do último barão e falido herdeiro da família Sigognac, Jean Luc Henry Camille (Vincent Perez), que vive recluso e miserável em seu castelo juntamente de seu único e fiel criado, Pietro (Ciccio Ingrassia). Em uma noite tempestuosa, a Companhia Melpoméne & Tália de Teatro, que estava nas proximidades do castelo, vê-se impedida de prosseguir viagem, assim os esfarrapados itinerantes artistas pedem abrigo aos moradores do castelo.        
       Pietro, o leal servente, vê nesta trupe errante a oportunidade de seu jovem amo conhecer a vida bela e verdadeira e, principalmente, a chance de encontrar Luís XIII, cujo pai foi salvo pelo pai do jovem Sigognac, Henrique de Navarra. Dirigindo-se a Paris, o rapaz então iria proclamar-se como filho do salvador diante de Luís XIII, que reconheceria a nobreza de sua família e concederia sua gratidão (vulgo: grana)
       Pietro então paga uma quantia a Pulcinella (Massimo Troisi), um dos atores da trupe e narrador da história inteira, para que cuide do jovem barão durante a viagem, pois este nada sabe da vida fora do castelo, Pulcinella, contrariado, aceita a incumbência.

Além de Pulcinella, a trupe é composta pelo dramático Matamore (Jean-François Perrier), as belas Serafina (Ornella Muti), Isabella (Emmanuelle Béart) e Zerbina (Tosca D'Aquino), a objetiva Lady Leonarde (Lauretta Masiero), o garboso e empolado Leandre (Massimo Wertmüller), e o sucinto Tirano (Toni Ucci).
       E assim a história se desenrola numa divertida (porém árdua) viagem, envolvendo paixões e desilusões, mostrando as dificuldades e conflitos de um grupo de teatro sem dinheiro e esfomeado, retratando também a paupérrima Europa do século XVII. E acima de tudo, retrata o amor quase que incondicional pela arte! (Alguns personagens não irão amar da mesma forma, mas aí você tem de assistir!)
É um filme que trata essencialmente os conflitos humanos, os dilemas entre o dever e o prazer. A trajetória do jovem barão nada mais é que a representação do curso da vida humana, o abandono do estável, das paredes do castelo para lançar-se na ventura incerta e oscilante que a vida é, os desencontros, as frustrações, paixões findadas, amores impossíveis e as limitações da realidade.

      O filme encanta o espectador durante os 132 minutos de exibição, o roteiro é extremamente bem tecido, adaptado por Scola do escritor francês Téophile Gautier, os diálogos são brilhantes, acentuando críticas sobre a sociedade e a desigualdade. O humor do filme consiste nos diálogos e, principalmente, nos personagens, no entanto o roteiro inteiro é um gracejo sublime e apaixonante. Pessoalmente, amei o personagem de Massimo Troisi, morri de rir com ele!
       E, por fim, há o inegável toque italiano, dramático como só! Um filme delicado e emocionante, das lágrimas aos risos! Realmente vale a pena!

 

Micmacs À Tire-larigot (2009)

           Após o sucesso legendário de Amélie Poulain o brilhante diretor Jean-Pierre Jeunet surpreende novamente com o filme Micmacs À Tire-larigot (2009)! Mantendo a poesia característica de seus filmes, a elaborada seleção de cores, um roteiro inteligente e a sutileza dos personagens. A trilha sonora é genial também, com o velho conhecido compasso ternário acelerado, característico dos filmes franceses! Lembrando também, claro, a composição de Yann Tiersen em Amélie Poulain.
         O filme conta a trágica história de Bazil (Dany Boon), que desde a infância carregou a memória da morte de seu pai. O pai, integrante da Legião Estrangeira Francesa, devido a explosão desastrosa de uma mina terrestre, acabou falecendo. É curioso analisar os distintos sentidos que as expressões "foi morto" e "morreu" despertam, e é o que o filme irá debater ao longo da história.
         A desgraça com armas volta a se repetir! Bazil, anos após a morte do pai, estava em seu trabalho (a locadora) assistindo The Big Sleep (À Beira do Abismo-1946) numa noite pacata, quando ouviu um barulho abrupto vindo da rua, ao ir ver o que havia acontecido acabou levando um tiro na cabeça, fora uma bala perdida, mas que quase o matou.
        Para piorar, os médicos não retiram a bala de sua cabeça, o que alimenta um ponto cômico sensacional do filme, pois Bazil tem inúmeros lapsos devido a bala alojada. No entanto fomenta também seu desejo de vingança. Quando o protagonista descobre que a bala perdida e a mina terrestre que assassinara seu pai eram relacionadas à duas grandes corporações bélicas rivais que se localizavam na região periférica industrial de Paris, ambas na mesma rua, ele tenta reclamar seus direitos como vítima das armas, no entanto, não é atendido, e assim elabora uma justiça (termo mais adequado do que "vingança", pois as empresas são de fato negligentes).

Da esquerda para a direita: Fracasse (Dominique Pinon), Calculette (Marie-Julie Baup),
Tambouille (Yolande Moreau), Bazil (Dany Boon), Petit Pierre (Michel Cremades);
Placard (Jean-Pierre Marielle) e Remington (Omar Sy)
   Com a ajuda de seus amigos, coletores do ferro-velho (todos um tanto desajustados, característica que faz lembrar a trupe de Ettore Scola), Bazil consegue arquitetar um plano para punir os arrogantes empresários Fenouillet (Andre Dussolier) e Marconi (Nicolas Marie), os grandes chefões da máfia belígera e ramificada, potencialmente tentacular.
    A"trupe", leal equipe, é composta pela protetora e preocupada matriarca Tambouille (Yolande Moreau), a exata mente brilhante Calculette (Marie-Julie Baup), o brilhante inventor Petit Pierre (Michel Cremades), o impulsivo e nervoso ex-presidiário Placard (Jean-Pierre Marielle), o enérgico e cordial Remington (Omar Sy), o desvairado Fracasse (Dominique Pinon) e a louca de amores por Bazil, a contorcionista
La Môme Caoutchouc (Julie Ferrier).
       O enredo é guiado de maneira brincalhona, sutil e sensível como a aura que Jeunet costuma criar (vide Amélie e Delicatessen), contudo este longa em especial ressalta as deficiências do mundo e como estão relacionadas às redes que fomentam as guerras, e como a produção de cada bala, por exemplo, pode afetar a vida de outrém.
     No entanto, o belo contraste a esse mundo que transborda desamor é a fraternidade e ternura entre o grupo, a união que faz de vários um só, e que, em Micmacs, se volta contra as empresas bélicas. Um dos pólos de debate é a discussão da responsabilidade, se quem faz as armas é culpado pelas mortes, ou simplesmente quem executa.
     Devemos responsabilizar o fabricante ou o comprador? (Isso eu deixarei para que você conclua após assistir ao filme!haha!). Num mundo onde os valores vão se dissipando e as causalidades vão se intensificando, devido, principalmente, à globalização, que fortaleceu a ideia dos elos entre as mais distantes realidades, é preciso ter essa resposta na ponta da razão!
                                                
       Os núcleos cômicos do filme se expandem muito além dos esteriótipos, dando ao filme um refinamento humorístico muito superior às comédias americanóides, o filme inteiro você sorri, quando não sorri, morre de rir. Pessoalmente, achei a atuação de Julie Ferrier sensacional! É impossível não dizer: Micmacs é um charme, uma comédia minimalista perfeita, a bela arte do silêncio, coisa que muitos longa-metragens, em sua verborragia, não conseguem alcançar.O interessante é ver também como o contemporâneo é retratado no filme, os tons sépia e as técnicas de iluminação contribuem para um certo caráter atemporal, onde celulares e sites como youtube coexistem em uma realidade retratada ao som de Max Steiner e inúmeras máquinas enferrujadas e múltiplas engenhocas, o constante uso de tons marrons no figurino também remete a um estilo esteticamente próximo ao Steampunk.
      
O filme é simplesmente um deleite, tanto no sucesso ao criticar esta insana sociedade, como na estratégia magnífica e brilhantemente engenhosa de Bazil e seus companheiros para castigar os senhores das armas. Veredicto? O filme é excelênte! Sem mais comentários, é simplesmente excelênte!
       Il Viaggio di Capitan Fracassa e Micmacs à Tire-larigot são filmes orquestrados pelo entrelace de sentimentos, doces cores e as dores da existência. Os dois filmes, aliás, retratam um valor, que no meio de todos estes 'nós morais', cegueiras, cabos de guerra e balas perdidas, nunca deve ser perdido, a amizade.


sábado, 13 de outubro de 2012

Dica


Novamente, mais uma dica para os ávidos leitores! Que, provavelmente, já até devem conhecer o site que irei indicar! Eis aqui um site de busca que aponta bons sebos para você efetuar sua compra (os preços são ótimos!). No site, o sebo que cadastrou o livro em questão informa características como peso, condição em que se encontra e a editora. http://www.estantevirtual.com.br/

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

El Efecto - O Encontro de Lampião com Eike Batista


    Desculpem, não aguentei, é a segunda vez que coloco El Efecto aqui haha! Mas essas são muito boas, vale muito a pena ouvir, a letra também é genial! (;
    Essa música está no novo álbum da banda: "Pedras e Sonhos", vale conferir! Uma música que eu indico inclusive é...hm, bem, ouça o álbum inteiro! E preste atenção nas letras de "N'aghadê" (que está aqui nesta postagem, logo após o jump break) e "A Caça Que Se Apaixonou Pelo Caçador", que são geniais! "Pedras e Sonhos" e "Consagração da Primavera" são mais poéticas e delicadas.
    "Cantiga de Ninar", a quarta faixa do álbum (que está nesta postagem após o jump break) também tem a melodia terna e singela, no entanto aborda simultaneamente uma crítica à cegueira moral humana. A composição em questão, misturada a um toque de maravilhosas dissonâncias, tem algo que lembra a teatralidade de Frank Zappa e o peso caótico de Unexpect, somando-se a coros afinados que lembram as notas inesquecíveis de Queen em Bohemian Rhapsody, e isso tudo a banda realiza sem perder o caráter cultural nacional!
Álbum Completo: http://www.youtube.com/watch?v=F7m1czyYby4
Também disponível para download no site da banda: http://www.elefecto.com.br/musicas/index.php

O Encontro de Lampião com Eike Batista

Duas coisas bem distintas
Uma é o preço, outra é o valor
Quem não entende a diferença
Pouco saberá do amor(...)

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Dica

Para os leitores de plantão, tenho aqui um site maravilhoso:
http://bibliotecasocialvirtual.wordpress.com/



O site conta com um grande acervo de variados títulos, é ótimo para pesquisa! Recomendo!