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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Cidade de Areia

                                         




    Por vezes tenho a impressão de que São Paulo (e qualquer outra cidade em constante 'crescimento') é comparável a um ermo de dunas de areia, sempre em irrefreável mutação, ao alento do curso dos ventos que montam e desmontam morros arenosos. Se no deserto é a vontade dos ventos que desenha os espaços, em São Paulo é a gentrificação.
     Como já devo ter falado aqui, moro na zona central de São Paulo, sempre morei por aqui e tenho um amor muito grande pela região, contudo, ando me estressando bastante com sucessivas construções, destas que erguem edifícios-hidra-de-lerna, e dão aos meus dias um novo descolorido e uma magnífica trilha sonora: uma sinfonia estridente de desafinadas retroescavadeiras e motoniveladoras em contralto.
      Erguem-se, então, imponentes prédios empresariais e desconstroem-se memórias, histórias e lembranças, a tudo isso nós damos um nome genérico: gentrificação, processo que pode ser chamado também de "desenvolvimento", mas tal termo é tão falho que não vale a pena usá-lo. "Gentrification" tem raiz no léxico "gentry", que significa "well-bred people", ou seja, gente bem nascida, aristocracia ou classe dominante. Tem origem no francês antigo "genterie". Etimologicamente, portanto, gentrificação é o processo que torna algo nobre, reservado para classes dominantes e bem nascidas (ou administrado por elas).




   É o enobrecimento de uma região através de novos comércios e edifícios, fazendo também com que a população de baixa renda deixe o local. Embora não seja novidade, visto que o termo já tem significância de problematização sociológica há uns cinquenta anos, tal processo vem sendo analisado com mais frequência recentemente, em função da galopante modernização e globalização das megacidades.
   A valorização gradual de uma região metropolitana resulta na potencialização dos fatores atrativos da área urbana, atraindo empresas, aumentando investimentos e, claro, seduzindo trabalhadores pelas possibilidades de prosperar com vagas de emprego e relativa qualidade de vida. É um efeito em cadeia, e paradoxalmente proporcional, vide que ao aumentar a valorização e o investimento, todos os outros efeitos subsequentes irão também aumentar: mais globalizada, mais desenvolvida, mais populosa, e, no caso brasileiro, por ter uma 'evolução' excludente, mais desigual.
   Acontece que em São Paulo o tal investimento é empresarial, e, majoritariamente, de companhias privadas, fazendo com que a dinâmica de súbitas valorizações territoriais e especulação imobiliária sejam as linhas do nosso planejamento urbano, este sendo de nula eficiência, cheio de contrassensos e rabos presos: diversos partidos, para financiar propaganda política, fazem acordo com construtoras e empresas privadas, à exemplo dos infelizes casos Delta, Siemens e Alstom.




 
   Empresas como Itaú Unibanco S.A., Construtora OAS S.A., Casa Sol Materiais para Construção de Marília LTDA, Mtm Construções, Dalcar Veículos LTDA e Caue Veículos LTDA financiam, por exemplo, o podre PSDB (embora financiamento privado seja comum a maioria dos partidos, exemplo: o Itaú parece financiar quase todos). Empresas relacionadas à construção, automóveis, fármacos e assistência médica são as que mais aparecem como doadoras a candidatos e comitês partidários (fonte: às claras). Não é tão difícil deduzir sobre corrupção/lavagem de dinheiro, o nosso planejamento urbano é um estorvo, a mobilidade e o transporte público são terríveis, a indústria farmacêutica é uma putaria e nem é preciso comentar sobre o quesito medicina. Gentrificação, logo, é um carro dirigido por várias construtoras privadas que modificam o espaço urbano ao seu bem entender. Claro, num mundo globalizado e capitalista, ter auxílio de corporações privadas é necessário para qualquer partido, e poderia ser algo que beneficiasse todos, no entanto, a realidade não é esta (nunca, obviamente). A vontade do povo não é levada em conta e, no fim das contas, o que prevalece é o desejo da "gente genterie".
    Em significado e interpretação evidente, gentrification é a vontade de uma minoria endinheirada suprimindo o espaço urbano. Poeticamente, é uma amnésia, a cidade como organismo pulsante perde insígnias do passado, esquece-se do que foi, transformando-se em rígidas linhas de contratos empresariais. Os espaços ganham a pompa e o glamour dos grandes edifícios vidrados e moradias de alto nível, mas perdem todo o brilho e delicadeza da história (e não me refiro à história colonizadora, por exemplo, que ergueu as construções mais antigas que temos, mas ao vínculo que pessoas desenvolvem com suas casas, refiro-me à terra, a espaços). Os antigos habitantes são marginalizados, as casas são apagadas e as lembranças, demolidas.

                                        
 
    Gentrificação foi um dos temas discutidos na X Bienal de Arquitetura, em 2013 (juntamente com a questão da mobilidade), aparece no documentário sobre 156 Rivington Street (ABC No Rio), lampeja na singeleza da animação "Up - Altas Aventuras" e apresenta-se como um questionamento na recente exposição de Bel Falleiros, "Sobre Ruínas, Memórias e Monumentos", à mostra na Caixa Cultural São Paulo até o dia 16 de Fevereiro.
 
                                   
                                              
   
Acima: "figueira das lágrimas", de Bel Falleiros.
Abaixo: "marco zero"
             



 "Memórias nos postais:

Esses postais recontam algumas das muitas e confusas memórias envolvendo a cidade de São Paulo. Tendo como base fotos antigas, além de alguns relatos e fatos históricos, uma camada de papel vegetal quadriculado e caneta nanquim foram usados para recontar essas memórias, através de desenhos e pequenas frases". 


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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Angor

  Toco em algo que rabiscaste levianamente e recuo, como que com tinta na garganta e pedras no coração, não digo que o remorso queima-me, mas recuo pois este cativa-me, gela-me e afoga-me, há tinta na garganta, existem palavras não pronunciadas, sentimentos não anunciados e tudo resta em mudez, este enunciado asfixia-me, este chama-se silêncio.
  Chama-se necrópole de desejos, passou a hora, foram-se os dias, são póstumos e finados anseios, no qual ao túmulo a lembrança sempre trás flores. Floreia memórias, disseca dissabores, desata essa corrente de angústia que arranha as artérias ao levar consigo seixos ao coração. Estes que lotam as breves existências e as eternizam n'uma contrição infindável, coagulam o pensamento, este agora é silêncio.
   Este silêncio leva consigo o nome "vazio". Vazio, pois é impotência, ausência e ignorância, impede-te de respirar e falar, não pronunciar, mas expressar-se. Imobilidade causada pelo medo, o bondoso senso, imperioso, impecável e vigilante. Residente deste rochedo cardíaco, o medo é onipresente. É, pois, onisciente, já que prega os riscos da sinceridade com destreza. 'Cale-se, é melhor", ele sussurra, ameaçador. É também onipotente, podendo facilmente sufocar, usando seus pesados tentáculos, a verdade. E, já se sabe: silêncio é o servo fiel do medo.
   Não se sabe ainda se o medo provém de dentro ou fora, mas deve compor, com certeza, os minérios das pedras que calam o coração. Bem, n'uma tarde singular tive a oportunidade agradável de conversar com o vento, que, em sua indubitável vivência, disse-me:
 "Pedras erguem castelos", e, depois de brincar com as pétalas e poeiras, pensativo, acrescentou "Se bem lapidadas".

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Dermatologicamente Testado

  
     Na região onde moro as pessoas são convictas de sua "hobofobia justificada" e ao avistarem o amontoado de trapos velhos e fétidos se aproximar, ficam, civilizadamente e em sua finesse hostil, escandalizadas.
     É, sim, aquela mesma gente que quase te atropela enquanto tentas atravessar uma rua sem semáforo. Enfim, cotidiano à parte, me refiro à camada social que se farta na R. Avanhandava e sente repulsa ao ver, através das janelas escuras de seu carro importado e onipotente, o edifício ocupado pelo MST na rua ao lado. São as pessoas da sala de jantar.
    Com o desfecho do primeiro turno destas eleições em SP saíram vários gráficos, planilhas, diagramas e mapas destacando o caráter dos votos, uma destas avaliações demográficas é um mapa que destaca as regiões e seus respectivos votos preponderantes.
     Na zona central os votos foram, em sua maioria esmagadora, canalizados para o candidato Serra e nas regiões periféricas, para Haddad. Isso é perfeitamente compreensível, eu mesma poderia fazer uma pesquisa de opinião sem proferir uma frase interrogativa, aqui na região central você vai no supermercado e é comum ouvir as conversas (que mais parecem declamações) no caixa, a vontade de esganar alguém também é recorrente.
      Bem, voltando ao enfoque, esse post é mais um desabafo, e para que entendas o porquê desta declaração irei contar-lhes o que houve hoje no...adivinha onde? Supermercado!!! Êêeee! O segundo maior ântro da pluralidade anti-ética, creio que o primeiro seja todo cenário vinculado a transportes (trânsito, metrô e afins), já o terceiro é o condomínio domiciliar, vide as bitucas de cigarro que aparecem magicamente na minha sacada.
       Nessa quarta-feira decidi ir comprar danoninho, não tinha sobremesa e eu sou doida por danone, então procurei a parte das geladeiras no mercado próximo a minha casa. Os corredores estreitos estavam um tanto lotados, e, me parece, as pessoas têm uma péssima noção de espaço, simplesmente porque elas não andam ou não pensam que outros possivelmente queiram atravessar. Ou talvez pensem, mas não se importam.
      Uma odisseia pra conquistar a querida sobremesa, levei um pisão no pé e a mulher ainda me olhou feio, mas isso tudo bem, acontece toda hora (como da vez que perdi um pedação do cadarço do all star por causa de um pisão na tentativa de sair do metrô!).
       Feliz da vida com minha compra fui ao caixa, eis que adentra no supermercado uma moça negra vestindo roupas largas e sujas, o cabelo desgrenhado e, evidentemente, não tomava banho fazia um tempo, de modo que todas as caras do recinto torceram o nariz à rigor da etiqueta, até o mais cético duvidaria da existência de feios catarros naqueles narizes empinados à la blasé.
        Houve um burburinho de incômodo, os comentários pareciam soar em uníssono "que absurdo, mas é uma pouca vergonha", "gente, que loucura", ouvi uma perua dizer (querem apostar quanto que devia ser fã da Narcisa Tamborindeguy?). Como a fila não estava pequena tive de me conter pra não dar um tapa verbal em alguém. A moça desgrenhada havia parado na entrada do mercado para procurar algo em sua pochete, achou um punhado de moedas e adentrou num dos corredores, eis que chega um segurança e a impede de entrar, começa uma discussão, e ela diz audivelmente (vulgo: berro) "Ei, eu tenho dinheiro! Eu só quero comprar...", o segurança a interrompe, diz que ela não pode entrar, aparece o gerente e explica sobre as condições do mercado e pede que ela se retire devido ao incômodo causado nos outros consumidores, fica parado olhando-a, como se obrigasse sua saída por telecinese.
      Ela tenta entrar e repete que quer comprar leite e arroz, o gerente fala algo inaudível (a distância era considerável) e o segurança se opõe impedindo que a moça prossiga, um homem que estava próximo à cena começou a discutir com os dois, ouvi ele dizer algo como "ela tem direito de entrar para comprar o que quiser e não está perturbando ninguém" e "isso é absurdo, eu devia processar vocês", desarmado, o segurança cede, e o gerente, contrariado, permite que ela entre, percebi que ela estava quase chorando, e foi essa razão do post inteiro.
       Humilhar daquela maneira um igual é de uma violência extrema, minimizar o caráter sensível e pensante do outro a ponto deste se tornar desprezível não é algo que deveria fazer parte do cotidiano. Ser desumano, enfim, é desumanizar a natureza do outrem, e isso é completamente inaceitável. E não é meramente o ato de discriminar e anular a sensibilidade do outro, é fazer isso baseado em aspectos físicos e, direta ou indiretamente, financeiros. Na fila do caixa ainda restavam dois a minha frente, e, como esperado, ouvi as dondocas dizendo "que absurdo deixar entrar gente como essa!"
       Virei-me e falei "Bem, não é absurdo nenhum, inaceitável é vocês fazerem disso um absurdo", olharam-me com cara de "ai que loucura" e uma idosa aperuada falou, com um sorriso amarelo, "ah, meu bem, você é muito novinha". Não compreendi o comentário e também nem quis discutir, paguei o danoninho e fui embora. Chegando no elevador do Terceiro Ântro de Absurdos Éticos entram uma senhora, sua filha adulta e a discussão sobre um assalto ocorrido na casa de um parente. Como se não bastasse o ocorrido no mercado, enquanto o elevador subia vi que a última ostentava um adesivo na bolsa, o simpático adesivo azul e amarelo do PSDB. Num eflúvio de indignação o elevador para no nove e me impede de falar umas verdades, infelizmente.
        E por isso digo que a natureza daquele mapa é compreensível, não por conformismo, mas é porque é inegável que a região central é, majoritariamente, povoada por seres umbigóides, que acham um absurdo uma greve de metroviários estancando as linhas, mas não se importam se a causa do lapso for devido irresponsabilidade estadual, detestam os espaços públicos, mas não movem um dedo pra melhorá-lo ou sequer questionar sobre as causas que levaram a tal degradação, é um povo que só quer saber de shoppings, e não me importa se isso soa clichê ou não, é a pura e feia verdade.
         É a camada social que deveria desempenhar, diante todos seus frufrus diplominhas e acesso a educação particular, o papel de massa pensante, questionadora, mobilizada e politizada, mas nada, não é nada disso, é um povo, em sua maioria, mesmerizado e violento. Pessoas de gordas almas vazias, de egos que reclamam e exigem seu cânone espaço, mas sem nenhum interesse intelectual ou pensamento crítico.
         São os odiadores da hoi polloi, adoradores de políticas de biombo (vide revitalização do centro de SP, ou qualquer surgimento de biombos e placas de obra no período de eleição), os exímios saudosistas da ditadura, reacionários e uma legião de civis que só irão se dar conta do mundo que os cerca se forem dermatologicamente testados ou se o tio for assaltado, porque não existe o ideal de público na mente destes, existe o "meu", e o "nosso" é restrito apenas à família.       
        Não obstante, nem assim enxergariam a realidade, pois se fossem expostos à uma situação de violência, por exemplo, o assalto, iriam relacionar todos os males do mundo com a realidade suburbana, marginalizada, pobre e por eles excluída. Porque, ora, imagine, somos civilizados, "civilizadérrimos"! Não existe violência nas zonas providas de shoppings e starbucks! Bem, a não ser quando uma pé-rapada entra no supermercado, porque aí:   "Ai, que loucura!" 
        

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Monstruário

     Há uns dois minutos estava vendo as atualizações do facebook, eis que me deparo com um link compartilhado sobre uma manifestação desastrosa em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Na quinta feira (04/10, ontem) houve um protesto em frente à prefeitura municipal de Porto Alegre, na praça Montevideo. Vários cidadãos protestavam contra as privatizações feitas pela administração do prefeito José Fortunati do PDT. Um dos locais privatizados foi o Largo Glênio Peres, privatização que foi feita a partir de um acordo com a Coca-Cola.
     Os manifestantes, pacificamente, permaneceram no logradouro até à noite, foi quando as coisas se complicaram. Os reivindicantes decidiram se dirigir ao Largo Glênio Pires para protestar contra a privatização propriamente dita, e lá havia um boneco de um Tatu representando o patrocínio da Coca-Cola. Havia (de acordo com o link acima) cerca de 20 guardas municipais e 19 policiais militares a postos, os ativistas se aproximaram e os militares continuaram passivos, somente quando a massa civil que protestava começou a ultrapassar as grades que cercavam o boneco os policiais agiram. E agiram de forma bruta, cruel e injusta. As cenas são horríveis e absurdas.


     Me pergunto, a que ponto chegamos? Sim, exatamente essa pergunta clichê que faço, mas que parece a mais adequada a todo esse show de horrores, a esse espetáculo de carnificina. Quando li a reportagem pensei na palavra esperança, e quão bela ou tola ela soava nesse contexto doentio que o nosso plano político e militar nacional conseguiu atingir, passamos do limite do anormal, a polícia está muito longe de ser a égide da população, essa realidade não pode sequer ser chamada de beligerante, acho que nem essa palavra comporta toda a vilania, a frieza e a brutalidade disso tudo...

*E o curioso é essa versão do G1 engraçada escolha de palavras...

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

"Your Smile So Warm"

 Sabe quem é este aqui? 


 Conrad Veidt, ator alemão que inspirou Bob Kane e Bill Finger para criar o genial Joker! (:

Veidt em "The Man Who Laughts" - (O Homem Que Ri)  filme expressionista alemão.
O longa foi dirigido por Paul Leni e tem o roteiro inspirado pelo romance de
Victor Hugo "O Corcunda de Notre Dame"


terça-feira, 2 de outubro de 2012

Quando a viola tira o poema para dançar, a melopéia se torna melodia. Não há cântigo de amor mais belo do que uma singela sinfonia.  

La Conchita: Spanish itinerant dancer,
de Gustave Dore, publicado no Le Tour Du Monde,
Ed. Hachette, Paris, 1867

Gustave Dore

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Trompe-l'oeil

Untitled (Marching Figures), c.1952
oil on canvas, 198 x 137 cm
The Estate of Francis Bacon

    Andei ouvindo umas músicas realmente ruins e fiquei com cara de desgosto o resto do dia, então refleti sobre a causa de toda aquela desgraça e cheguei a conclusão de que a falta de comprometimento é a culpada. O principal expoente de uma obra-prima seria o elo sentimental adjacente a ela, fornecido pelo respectivo e amado "artífice".
Creio que seja essencial um vínculo emocional com "a criatura", mas qual seria o limite?
   É crucial, para a consistência de algo, selar um pacto anímico, principalmente se tratando de arte, no entanto, do mesmo modo que a ausência deste é perturbadora a presença incorreta e fanática é pior ainda! Francamente, não consigo decidir o que é pior: Ouvir sílabas sendo repetidas sem sentido algum ou escutar NSBM*.
   O "incorreto" aqui empregado relaciona-se diretamente com fanatismo. Opiniões políticas vinculadas à produções artísticas musicais são perfeitamente aceitáveis e necessárias (O Teatro Mágico, El Efecto, Tom Zé, Titãs, Pink Floyd, Midnight Oil, Men at Work e Pearl Jam são exemplos em excelência no debate de questões de elevada relevância social) no entanto, qualquer discurso político fascista é potencialmente perigoso, visto que qualquer fanatismo pode, facilmente, se tornar segregador.
   Então não, não são os guturais que me incomodam, até porque costumo ouvir músicas que usam este recurso vocal. Superior a qualquer incômodo auditivo é a perturbação ideológica, tanto Kuduro como os discursos de Varg Vikernes são de uma inversão de valores completamente hedionda. Nesta Admirável Sociedade Visual, onde todos os cenários e conceitos têm de cobrir-se com um manto de alegrias empacotadas para atrair mínima atenção do respeitável público, vemos as noções de cultura e comprometimento desfalecerem-se gradativamente.
      
"A racionalidade técnica hoje é a racionalidade do próprio domínio, é o caráter repressivo da sociedade que se autoaliena."

(A Indústria Cultural: O iluminismo como mistificação de massas; Max Horkheimer e Theodor W. Adorno)
    
   Vivemos na mais tola das ironias, e, embriagados pelo discurso pseudo-democrático, a ignorância nos cativa, seja com doces, seja com barriga vazia. Há uma cânone liberdade relativa, e, sem dúvidas, uma democracia dissimulada. O indivíduo de sucesso que detém os meios de produção ainda é o mais rico, isso é um fato indiscutível. Tais meios de produção são os necessários para produzir o que hoje é nominado como arte, e também, consequentemente, a música. Na R. Teodoro Sampaio, por exemplo, os "meios de produção" não são nada baratos, assim como os preços estabelecidos pelas mercenárias gravadoras.
    Há a questão da Internet, mas esta não excluí o caráter elitista que a música ocidentalizada (não mais só eurocêntrica, mas algo como "EUA-cêntrica) adquiriu (ou sempre teve), tornando-se mercantil, enlatada como numa linha de montagem e despiu-se de todo e qualquer valor cultural e sentimental (o tal pacto anímico mencionado no primeiro parágrafo). Por fim, somos imobilizados pela ilusão de mobilidade e neste meio hipertônico (transbordando outdoors, banners e outras mil quinquilharias marqueteiras) o indivíduo desenvolve sua personalidade plasmolizada.
    A música plástica e sua então produção massificada, mecanizada e acéfala potencializa-se ao se somar com o desejo de subjetivação desesperado do indivíduo, que na sede de agregar-se a algum grupo acaba encerrando-se em algo nocivo. No entanto não nos sublimamos para a posição de Sujeito, como deveríamos e pensávamos fazer, mas a plasmolização do indivíduo o prepara pra coisificação, sua degeneração para Objeto. A ânsia de aceitação em um grupo pode evoluir para um idolatrismo exacerbado e aí desembocamos no fanatismo. Fanatismos, vícios e excessos originam-se da fraqueza humana, de uma certa ausência e angústia.

"Quanto mais esquecido de si mesmo está quem escuta, tanto mais fundo se grava nele a coisa escutada."
(Walter Benjamin)

  Essa perda de identidade, segundo Benjamin, será devida a obstrução da experiência. Para o filósofo alemão, experiência não é apenas "verificação de um fenônimo físico" ou o fator meritocrático que consta no currículo, mas sim é a construção do indivíduo, o que irá caracterizá-lo como único porém pertencente à uma comunidade. É a transmissão de valores baseada na narrativa, que, de acordo com Benjamin, teria sido corrompida na atualidade, sendo distorcida e tendo seu valor diluido com o surgimento do rádio, da televisão, da imprensa e assim por diante.

"Com a atrofia da experiência, é a identidade de cada um que entra em crise, é a constituição de cada um como sujeito que se torna problemática, surgindo assim o terreno fértil para a alienação a que está sujeito o homem contemporâneo"
(A Criança e Seu Desenvolvimento - Sandra Maria Sawaya sobre o Conceito de experiência em Walter Benjamin- 4° Edição - Editora Cortez)

  A música tem, irrevogavelmente, um elevado potencial alienador, o qual é impulsionado se a música em questão for sintetizada e sistemática, apartada de toda e qualquer real tradição (diferente da tradição inventada, como diz E. Hobsbawm) ou significado profundo. É a música "com preço, mas sem valor." Tal produção monstruosa, abominação industrial, titã alienador, como queira chamar, distorce completamente a música regional, a identidade, por exemplo, da roda de viola. O Sertanejo Universitário inundou as mídias de tal forma que sequer lembramos que o Sertanejo de Raiz é bom, ou melhor, foi.
   Assim, com este vazio cognitivo nos cidadãos, a famosa "falta de espírito crítico", surgem coisas como as trilhões de músicas monossilábicas e idiotas. O indivíduo bestializado, logo, é preenchido com um conteúdo que se não é vazio é algo bem próximo disto. Não obstante, quando o humano plasmolizado é invadido por uma ideologia que tende ao fanatismo segregador, a necessidade de "vestir a camisa" e identificar-se é maior. De certa forma, o primeiro exemplo é a falta de vínculo com a música feita, uma certa impessoalidade, música volátil, o segundo, por sua vez, é o interesse de um grupo sobrepondo-se às perspectivas da comunidade como um todo.
    Ouço uma melódia distante ressoar, difusamente, numa tarde com perfume de sol, mas é um carro tocando funk no mais alto volume. E nos corredores de uma escola particular ou pública um bando de garotinhas chilicam ao ver a foto de um ídolo industrializado, as meninas daquele grupo histérico não se importam com a escola, não, suas cabeças servem pra pensar nas boybands, e tampouco se preocupam com a eleição que acontecerá na cidade, não se importam muito com os pais, salve quando estes dão dinheiro para o show das bandas plastificadas que tanto amam. Isso é cabresto, e nada mais. O cabresto da estupidez e do idolatrismo enjoativo...
     Então, neste picadeiro de inverdades da adorável sociedade de sorrisos dissimulados, respiramos este ar um tanto Trompe-l'oeil, lotado de mentiras e hidrocarbonetos aromáticos. E, ao pé da letra, se for andar na rua, não se esqueça: fones de ouvido ou "Pílula Vermelha"?



(*A sigla NSBM significa: National Socialist Black Metal, música que em suas letras e bandeiras defendem ideias como: Supremacia branca, Antissemitismo, Satanismo e Separatismo Racial.)

(*Trompe-l'oeil é um recurso usado na pintura capaz de enganar o olho humano, os desenhos 'trompe-l'oeil nos fazem ver imagens que não existem realmente ou dão a sensação de que uma determinada paisagem é real - aquelas famosas pinturas no asfalto de enormes buracos surreais são de gênero trompe-l'oeil, essa técnica não tem absolutamente nada a ver com Francis Bacon, apenas escolhi a pintura do artista devido sua relação com o tema 'alienação'.)


(** "Erfahrung (experiência) é o conhecimento obtido através de uma experiência que se acumula, que se prolonga, que se desdobra, como numa viagem; o sujeito integrado numa comunidade dispõe de critérios que lhe permitem ir sedimentando as coisas com o tempo. Erlebnis é a vivência do indivíduo privado, isolado, é a impressão forte, que precisa ser assimilada às pressas, que produz efeitos imediatos."
Walter Benjamin: O Marxismo da Melancolia",
página 83, Leandro Konder. Fragmento também encontrado no livro A Criança e Seu Desenvolvimento; página 34; 4° Edição - Editora Cortez)

"A experiência (Erfahrung) é fruto do trabalho, a vivência (Erlebnis) é a fantasmagoria do ocioso."


quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Simultaneidade Infeliz

   Jogavam o mesmo jogo, a mesma estupidez insensata. E após fingirem metódica indiferença ao estarem juntos, corroíam-se pelo que não foi feito ou dito. No fim do dia repousavam as arritmias, os desassossegos e, por último, a cabeça sobre o conivente travesseiro, libertador daquelas trevas e mediador das travessias e travessuras que só são feitas mesmo nos sonhos. Mas que sonhos?
   O sangue pesa, e a angústia que se deita sobre a mãe das motivações é a única realidade palpável de todo aquele teatro sem roteiro. Talvez tais sonhos, depois do remorso cantarolar sua troça burlesca, fossem valsas, sublimes e belas, danças de logopéia à rigor, ela a poesia, ele, a ideia. E enfim juntos, sem palavras fantasiadas, mas sim com rimas fantasiosas. Não mais libertos entre grades, mas selados em cogitações, pensamentos.
   Nada mais que sonhos, pois hesitar é a sina imutável, nada além da palpitação omitida ao cruzarem fortuitos olhares. E ambos escreveram confissões nunca lidas, “correspondências jamais correspondidas”, as cartas jamais enviadas, possivelmente interceptadas pelos cânones limites. Ato Final: A impossibilidade daquele amor era irrevogável. 

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Conjugação

  Às vezes esqueço-me dos predicados e não transito, não transcendo, algo perde-se. Tropeço na inexistência do que deveria conjugar-me, ou do que deveria me julgar, talvez. Então esqueço-me simplesmente, sublimo meu corpo e condenso a mente, ou devo fazer o contrário? Não me recordo do endereço da minha consciência, não compreendo qual clave determina minha sintonia, minha finação, pois, ora, são tantas! Tantas são as claves que afinam as pedras, as cores, os pássaros, tambores, e coisas que se perdem, coisas que se esquecem da origem ou são por ela esquecidas.
   Minha data de nascimento deve ter se esquecido de mim...talvez, bem, o que não é de todo mal, pois tampouco reservo tempo e sorrisos para fazer florescer lembranças sobre números do registro geral. A origem nos esquece quando nós nos esquecemos dela, mas se quiser acreditar que nós nos esquecemos da origem quando esta nos esquece fique a vontade, imaginei "prefere chá de limão ou de camomila?" Me perguntava também se você se pergunta se o outro ou outra julga ou conjuga o cônjugue...É evidente que todos julgam. Metem os narizes. Julgam em demásia. E todos histéricos.
   Eis aí a finalidade de esquecer-se dos predicados, enrolar-se em ócio e desmerecer, ao menos por um ínfimo instante, o mérito que nos julga e conjuga todos os dias desta vida verborrágica.

A Existência Fortuita Dos Restos

O poema do resto é aquele que herdou as palavras não-nascidas. É aquele que absorve o ignorado como forma de vida.
O que somos nós? Se não restos do que já fomos e seremos, do que já ouvimos e vimos, de palavras não escritas e páginas vazias, e pseudo-parresias?

sábado, 18 de agosto de 2012

Roman Polanski!

Feliz Aniversário Rajmund Roman Thierry Polański!

 Hoje um dos maiores cineastas faz 79 anos! O "surrealista e mental-frightful" maestro de thrillers inegualáveis, Roman Polanski, acumula em seu currículo 59 anos de uma carreira inteiramente marcada de clássicos. O francês parisiense descendente de polôneses nascido em 18 de Agosto de 1933 tem em seu histórico filmes como O Bebê De Rosemary, O Pianista (com o qual ganhou o prêmio "Palma de Ouro" no Festival de Cannes, e também o Oscar de Melhor Diretor), Repulsa ao Sexo (Repusion), Chinatown, A Dança Dos Vampiros e os recentes "Escritor Fantasma" e "O Deus da Carnificina". Apesar de um histórico de tristezas e também crimes e irregularidades suas obras continuam a ser excelentes.
   Entre tantos clássicos, pessoalmente, recomendo o filme "A Dança Dos Vampiros (1967)", o elenco é sensacional e o longa é adornado de um humor delicioso! Se procuras um suspense clássico obviamente o melhor é escolher "O bebê de Rosemary", a trilha sonora desconexa, anódina e de frequências tritonais somada a seleção estratégica de cores frias e fracas acrescenta uma aura depressiva ao enredo (bem gerontofóbico, em minha opinião). "O Pianista" também é ótimo e, como em quase todo filme que retrata a Segunda Guerra, é emocionante (se és sensível com certeza irá chorar). Não aconselho "O Escritor Fantasma", tentei assistir mas dormi, contudo não leve em conta o que eu disse, aliás, vou tentar assistir de novo!

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Inconstância Pragmática

      
      Alienação, controle da mídia e submissão ideológica já se tornaram parte do vocabulário usual de textos encontrados na internet, mas frente às inúmeras crises (econômicas, culturais, políticas, e etc) da atualidade é realmente necessário ter consciência das falhas morais da sociedade. Não é preciso nem mesmo sair de casa para contemplar a frivolidade que invade a sanidade de todos, basta abrir alguma rede social e coisas típicas de um consumismo catastrófico irão (pop-up!) explodir na sua cara!
     Desde a Revolução Industrial a humanidade desenvolveu conhecimentos e tecnologias extremamente rápido, e depois da revolução tecno-científica isso ficou ainda mais claro, com a violenta globalização a velocidade de informações se reduziu a segundos e mudou seu endereço de "pontos distântes e distintos" para a onipresença e a onipotência de estar em todos os lugares, hoje, tornando-se onisciência (com a internet) por se solidificar em forma de uma rede que é tecida com informações de diversas partes do mundo que não são emitidas por uma só voz, ou um grupo delas (como a televisão) e sim por várias.
     Acontece que mesmo constando em nossa linha evolutiva um desenvolvimento tecnológico sem precedentes o ser humano parece estar inapto a acompanhar saudavelmente todo esse "superávit" científico, seria adequado, para toda essa sofisticada maquinaria high-tech funcionar de fato, uma compreensão e discernimento do que é realmente necessário e do que é apenas supérfluo, coisa que nunca foi feita, visto que tecnologia como conhecemos é muito recente. O caráter passivo, consumista e fleugmático que a maioria adquiriu é proveniente de uma supravalorização do inerte, uma adoração bombeada através das artérias de um sistema doente. Abdicamos de liberdades e ainda assim vivemos em "Bellum Omnium Contra Omnium" que é nada mais que essa contemporânea competitividade (seja comercial, econômica, cultural, política, estética, existencial...Tudo!) somada à esta confusão de más políticas, crises econômicas e guerras mascaradas.
       Este moralismo poroso em que nos sustentamos, discursos-clichês e ultrapassados, e ideologias não construídas mas sim herdadas (ideias já mastigadas pelos pais) fazem desta geração uma geração de uma maioria desprovida de críticas conquistadas, vivemos então no completo abismo da ignorância em que os ecos são o conformismo. "Capacidade de Adaptação Humana" (essencialmente teórica) deveria ser apenas biológica, não psicológica como a que potencializa o comodismo. Esta capacidade mental de adaptação, mesmo frente a injustiças e atrocidades, fazem de nós uma massa inconstante, só que com o aspecto moralista de um engomadinho reacionário dos anos 50. Estilo de vida um tanto paradoxal, não? Inconstante (ou moralmente inconsistente), porém conservador, moderno, mas tradicionalista.



A fusão de uma até então sólida sociedade pode resultar na perda de valores familiares e emocionais inclusive, caminhamos para o individualismo extremo ou como Marx e Engels mencionam n'O Manifesto do Partido Comunista":
"A burguesia despojou de sua aura todas as atividades até então consideradas com respeito e temor religioso. Transformou o médico, o jurista, o padre, o poeta, o homem de ciência, em assalariados por ela remunerados. A burguesia rasgou o véu da emoção e de sentimentalidade das relações familiares e reduziu-as a mera relação monetária."
   Acrescento, para evitar a generalização, a ausência crítica existe em todos os lugares e ainda paira sobre a maioria, porém há sempre (felizmente) uma parcela da população que torna a questionar. Só para complementar, coloquei um vídeo acima, é interessante, vale a pena assistir! Este faz parte de uma reportagem feita pela Globo News no começo deste ano, é uma análise aprofundada sobre a Crise Européia, envolvendo conceitos como "Sociedade Líquida" do sociólogo Zigmunt Bauman (é, pois é, tô falando dele de novo, não me xinguem) e contando com a palavra de vários economistas [e do próprio Bauman!].
     Mas de onde surgiu tudo isso? Minha crítica seria infundada se eu aqui não expusesse os fatos como eles são. De onde viria então essa propensão anormal à crises? Essa cegueira crônica de analisar a realidade e a mudez de questioná-la? Então um brevíssimo mergulho na história.   

sábado, 11 de agosto de 2012

Parênteses

  Estive relendo esse blog e me dei conta de que há algumas coisas ditas que de alguma forma sinto vergonha. A explicação mais plausível pra isso é o fato deste blog ter sido criado em 2009, quando eu era garota desinformada e inconsequente de 12 anos e não alguém pensando em vestibular, caçando livros como um zumbi persegue cérebros, procurando feiras de profissões e pesquisando palestras de programas de computador, desenho e animação. Me pergunto se estarei eu perdendo a singeleza com que uma criança vê os fatos e virando [isso é claro, mas o problema é virar:] um alguém rígido, sem tolas alegrias e de difícil sorriso...er.
   Não! E Pelas botas de Merlin! É bom assim! Agradeço aos deuses que deixei de ser aquela menina idiota [ou será que não?Socorro]. Pensar "Caramba, como escrevi isso?" é deprimente, contudo, diferente do que falam por aí sobre "crescer", eu, pelo menos, não perdi o riso fácil! Não ainda! Haha! Mas de qualquer maneira, resolvi não deletar as postagens, creio que, futuramente, gostarei de analisar a evolução [ou involução] das minhas ideias, espero que eu [novamente] não fique com o rosto mais vermelho do que estou ao ler as porcarias que escrevia!
Ah, se julgar algum artigo ridículo demais, por favor dê uma olhada no ano de publicação.

sábado, 16 de outubro de 2010

Aos Queridos Quadrados Quadriculares

           Olá. Hoje estou aqui para falar sobre quadrados.
           Quadrados são quadrilateros, são todos retângulos, mas os retangulos nunca poderão ser quadrados. Pois quadrados têm um diferencial dos retangulos, eles são quadrados, mas são retângulos.
           Quadrados tem quatro lados, podem ser de vários tamanhos e quadrados são quadrados, veem as coisas como quadrados, alguns são até mais redondos ou mais retângulos, mas são quadrados.
           Quadrados são todos iguais. Quadrados são quadrados, são quadrados brancos, amarelos, pretos, vermelhos, azuis e verdes e todas as cores belas dos prismas e das pedras. Quadrados são muitos dentro do mundo, e eles vivem num mundo quadrado achatado nos pólos.
           Quadrados constroem muros, definem esteriótipos e rótulos para coisas que não deveriam receber tais coisas. Quadrados vivem em quadrados, andam em quadrados, falam como quadrados e comem como quadrados.
         Cada quadrado diz ser diferente de um outro quadrado, mas no fundo são iguais. Quadrados são inconsequentes, são mediocres e hipócritas mas quadrados possuem amor. O amor vive em quadrados, o amor é um quadrado mais elevado, já a paz também, mas é um quadrado mais...utópico, a paz vive dentro de alguns quadrados mas são poucos que possuem a paz dentro de seus corações quadrados.
         Sobretudo, quadrados têm a mente quadrada. Eles não aceitam mudanças, eles cuidam da vida dos outros, eles falam de coisas que eles não sabem, eles falam que moralismo é careta mas eles são moralistas, ora, são quadrados!
         Há varios grupos de quadrados, os quadrados culturais, os quadrados tristes, os quadrados musicais ( o que permite mais subdivisões de quadrados uniformizados ) os quadrados sérios, os quadrados metidos, os quadrados metidos a loucos...Muitos e muitos quadrados, formando um grande cubo, cada quadrado está ligado diretamente e indiretamente a outro.
         Quadrados aprendem, desaprendem, xingam, amam, matam, roubam, mas são todos quadrados, são todos apenas quadrados.
P.S..: a repetição constante da palavra "quadrados" foi intensional.