domingo, 26 de janeiro de 2014

Bom Bordô

A bombordo há um bombardeio
Bom bordô, caravela, grande barco
Emborca-se a bordo do bravio mar
Que ciranda em rodeios
Que valsa gardênias
E a girândola flamejante em anil
Incendeia átrios ao navegar.

Nave marítima, corsária, tenta negar,
As correntes que a levam a mar, ao mar
Bordejar, estirar-se ao timão tenta
Sem tino, ó destino, a nave não se sustenta.

E bordeja, briosa, borbulha
E emborca-se nas profundezas agudas
Do amor que toma da madeira sua cor.

Mar torna-se bordô, rouge, barroco vívido
Nau pincela-se azul anil, cerúleo límpido

Milongas de Desatino

Ouve-me
Ou vê-me
Veemente, peço

Peço, pois não tenho mais nada a pedir
Despedi-me, pois, ora despeço-me
E despedaço-me, pois não esperava partir.

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Amar-te
É a Marte ir
A morte ver
E amoras colher

Daí pintar-lhe um retrato
De outro planeta
Fazer-lhe um poema
Sobre o outro lado
E enfeitar o infinito
Com frutas vermelhas


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terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Hora Zero

Há, veja no relógio, alguns grãos de instantes
É necessário fazer um minuto de luto, de zelo
Daí escrevemos um bilhete para um Eu futuro
Veja, besta, rito tolo, mas compensa.

Regresso em dez tons, ca-den-ci-an-do
Matizes de tempo vão c l a  r  e   a     n     d      o
Até o alvo da meia noite, da zero hora.
E aquele bilhete cheio de tralha em lista, comemorando
É memorando de última hora para uma hierarquia do agora.

Timbre da instituição, número do memorando
Depende da idade que está guardando
Remetente: o presente (em breve, ausente)
Destinatário, ninguém sabe, mas preenche-se sob codinome:
"Anoquevem"

Depois o memorando é esquecido nas gavetas
E - com os fógos - no abraço de outrem.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Impressão, Levante

Gotículas de futuro polvilham o vento
Frescor tecnicolor e aroma de champagne
Partículas mui diminutas moem-se sob as frestas
Trazem consigo mapas, planos e festas.

Origem cêntrica ou linear
Explosiva ou regulamentada
Pétalas de hipocrisia flagraram as risadas
Ouçam bem os fógos como luzes de ribalta:

"Das, tas, da, datas dadas"

Virão figuras repetidas após estes trovões?
Hermanos, levantemo-nos, aceitemos a mentira
E então, de pé, refutamo-la,e PÁ
Abrimos a champagne.

A rolha alça voo comemorando a morte de um tempo
E mais um plastificado luminoso levante.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Domingo 29

Há sob o céu uma legenda
Que espreguiça-se sobre o dorso de domingo
As nuvens fazem-se cinzas como a rua
Sustentadas pelos gélidos condomínios

É verão, Jão, é verão
Mas é dezembro, deserto membro ébrio
Desmembrado sobre o firmamento dos domingos
Dezembrado, endomingado, esquecido.

Límpido limbo faz do dia intervalo
Entre o vale, resvalo morto, melindroso passado
E árvores de um vindouro de ouro, planalto.

"Vem ano novo", avizinha-se o comentário
E veste brando em vestes brancas,
Retira esperança do armário.

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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Reinos de Ar

Os Reinos de Ar  (sobre as suas paredes)

Sabes que admiro palácios
E tu és o rei dos castelos de ar
Ludibria-me com a luz das palavras
Todas infladas, belas, a flutuar.

Bem entendes que eu jamais me negaria
A, sem fôlego, ouvi-las docemente
Como o sereno macio sobre a maresia
Acalmando águas de todas as correntes.

Pincela-me glicínias em lilás
Quando são, na verdade, frios sincelos
Poetifica pontes e poentes
Mas edifica torres intangíveis com esmero.

E com esmero esmeraldas desenha
Destila a minha esperança ferrenha
Ah!, contudo, meus olhos estão ocupados
Em amar o brilho, a aura, o éter
O sumo, a mentira, o léxico
Vocábulos tóxicos que embriagam-me a lógica
Tijolos de névoa que desfazem-se em troça.

Desfolha, com classe, meu coração
Até que nele se impregne o odor da ausência
A fragrância do vazio, do quarto já abandonado
Dos móveis empoeirados, ébria cadência.

Então, ó rei, não me escrevas
Não profiras mais nem uma linha
Nada me agrada esse sopro de dúvida
Que, cruelmente, meu pulso desalinha.

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Os Reinos de Ar  (sobre os seus solos)

Não sei o que é verdade
Tão logo não sei o que é irreal
Tampouco compreendo sua sinceridade
Que a mim se apresente colossal.

Agarro vento entre as mãos, é certo
E a minha cognição é um buraco aberto
Meço discursos, gestos e cenas
Mas ao ver-te, vertigem, caio na arena.

Picadeiro de ilusões suspensas
Extensas
Esta é a arena que me cerca
Mal dita
Assombram-me também as palavras não ditas
E todas estas amorfas entrelinhas
Submersas.

E reflito: serão estes diálogos mudos?
Mudas de flores sequer foram plantadas?
São elas de sementes utópicas, inventadas?
Ou, de fato, florescerão, belas, neste mundo?

Neste chão imundo, vagal, infecundo?
Ou será este de terra áurea, solar de fruir?
Não entendes? Não posso ver, distinguir!
Sou incapaz de dizer se o solo é raso ou profundo.

Ganchos de incerteza, logo, arrastam-me
Repuxam na pele todo descontrole
Tuas falsas bandeiras amordaçam-me
Faixas que cegam meus olhos
E deles se escondem.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

A Desventura de Scliar


   É extremamente revoltante ver a insolência e falta de criatividade do escritor Yann Martel ao praticamente plagiar a obra de Moacyr (Max e os Felinos) em "Life of Pi", e ainda menosprezar a fonte de toda sua "influência" dizendo que a ideia "fora mal aproveitada" pelo escritor brasileiro! Fala sério, e produzirem um filme depois disso tudo? Vergonhoso!
    O título da postagem não faz jus ao estado de espírito nobre e pacífico de Moacyr, que não se abalou com a coisa toda, mas descreve bem o meu! haha, para mim, um plágio como este é extremamente desonesto e, mais que isso, a atitude ofensiva e esnobe de Yann demonstra uma baita falta de caráter! Bem, tirem suas próprias conclusões após verem o vídeo. Eu gostaria de fazer uma postagem mais digna e extensa, mas a cozinha e a família estão chamando! hahaha
Enfim, Feliz fim de ano e comam bastante hoje! Um forte abraço! (;

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Angor

  Toco em algo que rabiscaste levianamente e recuo, como que com tinta na garganta e pedras no coração, não digo que o remorso queima-me, mas recuo pois este cativa-me, gela-me e afoga-me, há tinta na garganta, existem palavras não pronunciadas, sentimentos não anunciados e tudo resta em mudez, este enunciado asfixia-me, este chama-se silêncio.
  Chama-se necrópole de desejos, passou a hora, foram-se os dias, são póstumos e finados anseios, no qual ao túmulo a lembrança sempre trás flores. Floreia memórias, disseca dissabores, desata essa corrente de angústia que arranha as artérias ao levar consigo seixos ao coração. Estes que lotam as breves existências e as eternizam n'uma contrição infindável, coagulam o pensamento, este agora é silêncio.
   Este silêncio leva consigo o nome "vazio". Vazio, pois é impotência, ausência e ignorância, impede-te de respirar e falar, não pronunciar, mas expressar-se. Imobilidade causada pelo medo, o bondoso senso, imperioso, impecável e vigilante. Residente deste rochedo cardíaco, o medo é onipresente. É, pois, onisciente, já que prega os riscos da sinceridade com destreza. 'Cale-se, é melhor", ele sussurra, ameaçador. É também onipotente, podendo facilmente sufocar, usando seus pesados tentáculos, a verdade. E, já se sabe: silêncio é o servo fiel do medo.
   Não se sabe ainda se o medo provém de dentro ou fora, mas deve compor, com certeza, os minérios das pedras que calam o coração. Bem, n'uma tarde singular tive a oportunidade agradável de conversar com o vento, que, em sua indubitável vivência, disse-me:
 "Pedras erguem castelos", e, depois de brincar com as pétalas e poeiras, pensativo, acrescentou "Se bem lapidadas".

Para acalentar a alma....


  Joe Satriani! Um dos melhores guitarristas que eu conheço! A música "Always With me, Always With You" é uma das mais famosas deste guitarrista norte-americano, bem, é uma baladinha romântica pra falar a verdade! Contudo, não é uma melodia vazia abordando romance, mas sim uma harmonia inegualável, que floresce um morno abraço na alma.
   O álbum "The Extremist" é uma boa dica para quem gostou desse som, na minha opinião, um dos melhores álbuns de Joe. E quem curte um baita instrumental com o foco sobre solos de guitarra, há ainda o Paul Gilbert, Albert Lee, Steve Morse, o virtuoso e exibido Yngwie Malmsteen, outro mestre, bem conhecido, chamado Steve Vai, Santana, Steve Ray Vaughan, John Petrucci, Eddie Van Halen, Jeff Beck, Johnny Winter, Pat Martino, Nuno Bettencourt, Kiko Loureiro, Pepeu Gomes...